"Atualmente todos vivemos em um mundo dominado pelas máquinas. Quase não restam em nosso deteriorado planeta espaços livres, onde possamos esquecer nossa sociedade industrial e testar, sem sermos incomodados, nossas faculdades e energias primitivas. Em todos nós se esconde uma saudade do estado primogênito, com o qual podíamos calibrar-nos com a natureza e enfrentá-la, descobrindo a nós mesmos. Aqui está basicamente a razão de não haver para mim uma meta mais fascinante que esta: Um homem e uma montanha. "

(Reinhold Messner)

sexta-feira, 24 de março de 2017

Retornando - 2017, o ano da Montanha

Boa noite pessoal,

depois de 5 anos sem escrever, retorno hoje as atividades por aqui.
Não é a toa que estou escrevendo de novo, há algum tempo eu estava com vontade de publicar algumas das aventuras mais hards, mas acabava sem muito empenho para isso. Porém, se um dia eu planejava voltar a escrever, este dia tem que ser agora, pois 2017 será, ou já está sendo, um ano de imersão total no mundo do montanhismo e estou com vários projetos pessoais e profissionais relacionados.


Antes de qualquer coisa, me apresento novamente, afinal, depois de 5 anos muita coisa mudou. Sou Veleda Astarte P. Müller, com 14 anos subi minhas primeiras montanhas e me apaixonei completamente pelo esporte após subir o Olimpo, na Serra do Marumbi. Desde então, nunca mais parei de caminhar e a montanha se tornou o cerne da minha vida. Este ano completo 9 anos de prática deste esporte e hoje conheço muito bem a Serra do Ibitiraquire e boa parte das outras serras que nos rodeiam, como a do Marumbi, Baitaca, Farinha Seca, Capivari e Quiriri. Esse ano me formei Geóloga e os rumos que dou para minha profissão tem muito a ver com o montanhismo, durante a faculdade e agora na pós-graduação, foco meus estudos em temas relacionados a formação de grandes cadeias de montanhas.
Tive a oportunidade de viver um ano na Espanha, pelo programa Ciência sem Fronteiras, que descobri ser um país muito montanhoso e com uma vida esportiva muito intensa. Lá tive tive uma experiência em alta montanha, e vários kms percorridos por cordilheiras como a Cantábrica, Pirineus, e Central. Além da Espanha, viajei pelos Alpes franceses, suíços, austríacos e alemães, e fiz parte do épico Tour du Mont Blanc, em Chamonix na França.

No Tour du Mont Blanc, Chamonix, França, 2015.

Sobre os projetos atuais, bem vamos lá:

No início do ano eu recebi um convite para integrar a diretoria da Federação Paranaense de Montanhismo, a FEPAM, no cargo de secretária, e não hesitei nenhum pouco. Há alguns anos eu já planejava me envolver mais no meio da montanha, participar dos projetos de voluntariado, fazer mais trilhas, maiores e mais difíceis, conhecer mais pessoas e poder contribuir com meu conhecimento científico sobre o tema. Nesse sentido, a federação caiu como uma luva, e já estamos aí ativos!
Participo da gestão 2017/2018, e ainda estou me adaptando a esse novo meio e encargos. Para quem não sabe, a FEPAM é o órgão máximo que regulamenta a prática do montanhismo, escalada e similares no Paraná, sempre com objetivo de incentivar o crescimento do esporte, preservar o meio natural e prevenir acidentes.
É uma grande honra participar da diretoria e espero contribuir bastante durante esses dois anos, e já fica o aviso aos envolvidos no montanhismo: qualquer necessidade, doações e vontade de participar dos projetos, podem me procurar :) http://fepampr.org.br/

Outro projeto pessoal que havia muito tempo eu estava na inércia para começar de verdade, e que está sendo totalmente complementar aos outros, é a prática da escalada. Eu já tive várias experiências indoor, realizando alguns treinos na modalidade boulder, e já tinha experimentado a escalada esportiva no Morro do Anhangava, mas nada sério. Esse ano, num acaso muito feliz, uma amiga da época do colégio voltou da Austrália escalando e com muita vontade de continuar aqui no Brasil, como eu era uma das únicas pessoas que ela conhecia que curtia, me chamou e agora estamos aí, treinando 2 a 3 vezes por semana a escalada esportiva indoor, e já começamos a conhecer alguns setores da região.
Sempre vi a escalada como uma vertente do montanhismo que eu precisava aprender. Todas as modalidades me despertam curiosidade e vontade de praticar, mas a escalada tradicional me chama muito a atenção, pois ela envolve também o trekking, tem como um dos preceitos básicos o mínimo impacto ao meio natural, e gera a maior imersão na montanha, que é o que eu realmente amo no montanhismo.

Via Peon no Anhangava, 2012.

No momento sou só uma iniciante que mal consegue vencer as vias de 5º grau, mas vamos avançando e estou totalmente eufórica com a prática. Além de ser um esporte de aventura ao ar livre, é um desafio consigo mesmo e todas as pessoas envolvidas tem sido especiais. Nos treinos indoor tenho encontrado pessoas que admiro e acompanho há muito tempo, velhos amigos que já havia perdido o contato, e também feito novas amizades e parcerias muito bacanas. No fim, tudo acaba se entrelaçando, as pessoas que conheço por causa da FEPAM aparecem no ginásio e vice versa, e o universo de montanha só se amplia.

Para finalizar, comentarei um pouco sobre meu projeto profissional, já que ele também significa MONTANHA. Este ano entrei no Programa de Mestrado da UFPR, em parceria com um professor do Chile, com um projeto sobre Formação e Desenvolvimento de parte do Segmento Cordilheirano Andino na Patagônia. Para quem entende um pouco mais, estudarei complexos ofiolíticos e metavulcanossedimentares, em uma região pouco abaixo das Torres del Paine. Além disso, participarei de um projeto sobre as lagoas microbiais da região de Torres del Paine.
Esse mestrado é a realização de mais um sonho, já que eu realmente desejo seguir carreira acadêmica e sempre tive em mente estudar a Cordilheira dos Andes, e bem aí estamos!
No segundo semestre de 2017 devo ir para a Patagônia coletar dados para o estudo e certamente terão muitas fotos por aqui.

Região do Cajón del Maipo, próximo a Santiago no Chile, 2016.
Como se já não bastasse, ainda apareceu mais um presente montanhoso para 2017. Esse mês fui sorteada via promoção do Instagram pelo blog Um Viajante http://www.umviajante.com.br/ para uma viagem para o Atacama e Salar do Uyuni, de 8 dias. Nem acreditei direito ainda, mas parece que é sério mesmo e em junho ou julio, mais fotos e aventuras pelas montanhas do norte do Chile!!

Ainda, em abril finalmente tem Itatiaia pra mim, pois consegui entrar em um grupo que está indo para o Agulhas Negras, e por aí vai...
Simplificando, reativei o blog porque, mais do que nunca, 2017 promete ser o ano do florescimento do montanhismo na minha vida. Em breve terão postagens mais interessantes com fotos bonitas e textos aventureiros.

Seguimos juntos amigos da montanha.



segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Morro do Sete - A visão de todas as Serras

Começando mais um relato pelas montanhas paranaenses, hoje vamos falar sobre um morro com vista das mais interessantes para a Serra do Mar!
O acesso à Serra da Farinha se dá pela famosa entrada da graciosa que nos recepciona com um belo portal de pedras, ou melhor, rochas e melhor ainda, basaltos. 
Seguindo até a Fazenda que recebe os carros estacionados por R$10 reais, já temos uma vista de alguns montes da Serra da Farinha Seca, que vai do Morro Mãe Catira até o Morro da Balança.
Eu (Veleda), João, Tiago, Victor e Acássio na fazenda se preparando. Primeira vez.

A partir da Fazenda inicia-se a trilha para o Morro Mãe Catira, que tem que ser subido quando o objetivo é o Morro do Sete. 
Na primeira vez que estive no Morro do Sete, para não variar da má sorte que tive com montanhas no primeiro semestre de 2012, o tempo estava nublado e frio. O início da trilha é cansativo, exige das pernas e não é só no cansaço, é pela vegetação de bromélias cortantes que insistem em aparecer por quase toda a subida, provocando vários rasgos na pele, indicado ir sempre de calça comprida. 
Depois de uma parte mais pesada de subida em meio a mata atlântica, encontramos os campos de caratuvas, de onde se começa a ter as primeiras visões privilegiadas. De lá vemos Curitiba, que aliás se compararmos aos arredores podemos até ver a nuvem cinza de poluição que encobre a cidade, a Escarpa Devoniana que divide o primeiro do segundo planalto paranaense, a Serra da Baitaca, que inclui o famoso Anhangava e também a Serra do Ibitiraquire, que inclui o grande Pico Paraná e todos os gigantes a sua volta.

Dia 1. Serra da Baitaca ao fundo.

Dia 2. Serra do Ibitiraquire, possível identificar os picos Camapuã, Tucum, Caratuva, Itapiroca, Pico Paraná, Ciririca e Agudo da Cotia. 

Como mencionei antes, da primeira vez, a qual vou me referir aqui como Dia 1, com nuvens, conseguimos somente visualizar a Serra da Baitaca, mas muito diferentemente, da segunda vez que fui, aqui como Dia 2, o tempo estava incrível, frio e sem nenhuma nuvem no céu, a parte ruim só fomos descobrir mesmo no cume do Morro do Sete...
Dia 2. Várias cadeias de montanhas da Serra do Mar.

Continuando a subida, saímos na linda vista e entramos novamente na vegetação alta e fechada, e é nesse ambiente que encontramos o cume do Mãe Catira, que por esse motivo não tem nada de muito incrível a não ser um marco geodésico e um adesivo que indica que o morro faz parte de Travessia Alpha Crucis, a lendária travessia que engloba a Serra do Ibitiraquire, a Serra da Farinha Seca e a Serra do Marumbi (Travessia Alpha Ômega). No Dia 1, só vimos mato e nuvens de lá, mas no Dia 2, logo temos uma janela em meio a mata que revela a vista da Baía de Paranaguá, belísssima.
Cume do Mãe Catira. 

Daí inicia-se a travessia para o Morro do Sete, uma descida que exige dos joelhos, pois é longa e muito íngreme e no fim uma pequena subida, pois o Morro do Sete é aproximadamente 100 metros mais baixo que o Mãe Catira, que tem seus 1450 metros de altitude. A travessia dura mais ou menos uma hora, mas quando se chega ao cume do Sete é Fantástico.
Dia 1. Visão do Cume do Morro do 7, Serra da Farinha Seca.
Dia 1. Fenda entre morros na Serra da Farinha Seca. 

Repetindo mais uma vez, no Dia 1, tivemos a sorte de o vento levar as nuvens por alguns momentos e podemos ver a enorme fenda na Serra da Farinha Seca, formando um Canion entre as montanhas e revelando uma beleza incrível. No Dia 2, totalmente diferente, tivemos a visão de todas as Serras mais importantes para o montanhismo Paranaense. A norte, temos visão da Serra do Ibitiraquire, na qual podemos reconhecer os Picos Camapuã, Tucum, Itapiroca, Caratuva, Pico Paraná, Ciririca no qual até se vê as antenas, e Agudo da Cotia. A sul vemos a Serra do Marumbi, a leste a Serra da Prata, a Serra da Igreja e a Baía de Paranaguá e a sudoeste vemos até a ponta da Serra da Baitaca.
Dia 2. Serra da Prata ao fundo à esquerda e Serra da Igreja à direita.

Dia 2. Ana e Will com a Baía de Paranaguá ao fundo.
Dia 2. Fenda entre os morros da Serra da Farinha Seca. 
Serra do Marumbi ao fundo, o que estava atrás das nuvens no dia 1, agora uma maravilha! 

Completando a descrição do Dia 2, além de um vista maravilhosa do Leste Paranaense tínhamos VENTO, e MUITO VENTO. Era de quase sermos derrubados quando estávamos de pé, o que estava incomodando muito a estadia lá em cima, e também as fotos! No entanto, foi mais uma vez a natureza mostrando suas forças e nos dando a sensação de liberdade, e não de prisão entre paredes e prédios que nos protegem dos ventos e do frio, é o vento cortante da Montanha e do Mar que embaraça os cabelos.
Difícil tirar foto com tanto vento! Dia 2. 

Ficamos perto de uma hora e iniciamos a descida, que na verdade para voltar ao Mãe Catira foi um subida e daqueelas! Algumas pausas, mas logo estávamos de volta ao Mãe Catira e a partir daí só descida, este que na segunda vez nos levou a um trilha "alternativa" que nos levava na verdade a outra montanha da Serra, e tivemos que voltar para o campo das caratuvas e continuar a descida, agora pela trilha certa.
Finalizando o dia 2, demos umas passada na Casa de Pedra, ali ao lado da casa da fazenda, onde diz a lenda já foi uma senzala e hoje restam as ruínas e depois, todos mortos de fome e sede, fomos para o mirante da Estrada da Graciosa, onde comemos deliciosos pastéis, pamonhas e tomamos caldo de cana, fechando com chave de ouro!





Casa de Pedra. 

Se o site estiver demorando muito pra carregar as fotos, reclamem! Até a próxima!


terça-feira, 24 de abril de 2012

Pão de Loth, beleza e simplicidade


Quem ainda não conhece o Pão de Loth, deve fazê-lo logo, pois é uma das montanhas de subida mais tranquila na Serra do Mar e com uma vista incrível, daquelas que você fica cercado de outras belas montanhas!

No cume do Pão de Loth

E é daí que saí o título dessa postagem, uma vista linda da Serra do Marumbi, bastante próxima do Pão de Loth, de toda a Serra do Ibitiraquire, mais distante, e de outras grandes porções da Serra do Mar. Aliado a isso está um trilha muito fácil, rápida e o que conta muito para a paz alcançada com o montanhismo: nunca está lotada.
Para ir de Curitiba ao Pão de Loth, faz-se o mesmo caminho que para ir ao Anhangava, pegando os ônibus CTBA/QUATRO BARRAS e QUATRO BARRAS/BORDA DO CAMPO, e saí da mesma base do IAP que controla quem sobe o Anhangava e o Itupava,  justamente porque a trilha é iniciada pelo Caminho do Itupava. 
Anda-se mais ou menos uma hora e meia pelo Itupava, no caminho já podemos ver o grande objetivo. Há então uma bifurcação a direita, na qual se inicia a trilha do morro, bem estreita e fechada.
Pão de Loth

Tive a oportunidade de ir para o Pão de Loth duas vezes, na primeira a trilha tinha acabado de ser reaberta pelo IAP, fechada anteriormente devido aos deslizamentos na Serra, e por isso estava além de bastante fechada, cheia de animais na sua maior liberdade, tanto que encontramos no caminho 3 cobras, uma delas era uma jararaca enrolada e outra vimos passando bem no meio da trilha um pouco a frente de nós, não deu pra ver bem, mas era verde escuro bem forte, a 3ª na verdade parecia um filhote, sendo bem pequenininha.
Jararaca enrolada. 

A subida durou cerca de mais uma hora ou um pouco mais. O tempo infelizmente não estava dos melhores, mas isso não impediu que aproveitássemos, as nuvens não estavam tão densas e estavam daquele jeito que vão e vêm, liberando a vista em vários momentos.
Cume do Pão de Loth com nuvens
Além de que, muitas vezes um cume com algumas nuvens, dá a montanha um clima especial e mágico, em especial quando vem um friozinho junto, e também o fato de o Sol não pegar tão forte daquele jeito que acaba dando até vontade de descer, um clima ameno é sempre melhor na montanha!
Avistando o Pão de Loth na subida

Da segunda vez demos mais sorte! O tempo estava totalmente aberto e resolvemos antes de ir para o Pão, ir até a Roda D´água, no Caminho do Itupava, perto da casa do Ipiranga, pra dar uma refrescada no dia quente que estava.
Cachoeira da roda d´água do Ipiranga- Caminho do Itupava. 
 Algumas fotos na Casa do Ipiranga e voltar até a trilha do Pão de Loth, o que foi a pior parte do dia, porque descer o Itupava sabemos que é muito tranquilo, mas subi-lo, aí já é outra história. Confesso que as panturrilhas ficaram ardidas no caminho de volta que pareceu mais pesado que a trilha de subida do morro mesmo.
Casa do Ipiranga- Caminho do Itupava
 No cume do Pão de Loth contemplamos o Marumbi enorme a nossa frente, uma das vistas mais legais que se tem do Marumbi, e com o tempo limpo tínhamos visão de grande parte da Serra do Mar se impondo na paisagem e, lá no fundo, o alto Pico Paraná!
Marumbi
Pico Marumbi em primeiro plano



 Pico Paraná láaa no fundo.

Na descida, tivemos o azar de pegar uma tempestade, que por sinal estragou meu celular e me deu o prejuízo do dia, infelizmente.

Recomendo o Pão de Loth a iniciantes que queiram começar no montanhismo já em uma montanha recompensadora, a quem queira um dia na montanha sem muito compromisso e a qualquer um que goste de uma incrível vista da natureza!

Se chover, protejam os celulares!

  

quarta-feira, 14 de março de 2012

Serra do Ibitiraquire, 3 em um dia!



Mais uma vez relembrando experiências antigas, hoje é dia de contar a tripla travessia que fizemos, eu, Lucas e Acassio na Serra do Ibitiraquire, a Serra do Pico Paraná, em agosto de 2010.
Com a tropa sênior do Grupo São Gaspar Bertoni, tínhamos planos de ir para o Camapuã e para o Tucum, duas montanhas praticamente gêmeas, na Serra do Ibitiraquire, com uma visão muito privilegiada do Pico Paraná. Mas nossa pretensão realmente era, além dessas duas montanhas, chegar até o  Cerro Verde, uma montanha, na verdade, pouco visitada, pois não tem um acesso tão fácil quanto as outras, ela está bem no meio da Serra e não há trilha direto para ela, sem passar pelas outras montanhas a sua volta, e que nenhum de nós conhecia.



Fomos de carro até a fazenda do Pico Camapuã, que cobra R$5,00 por pessoa para  o trekking, e é uma entrada escondida, antes da entrada para a Fazenda do Pico Paraná. Lá, iniciamos a trilha em 9 pessoas, com experientes e iniciantes. A subida do Camapuã, é uma das mais sofridas, uma grande parte é por trilha no meio da mata, mas o trecho final é uma grande subida direto na rocha, com o Sol nas costas e nada pra ajudar além das pernas, que seguem esse trecho por quase 1hra e meia até o cume. A vista dessa parte é linda, mas é exigente, eu como andava há algum tempo sem praticar nenhuma atividade física, confesso que sofri bastante. Andávamos um pouco, e já tínhamos que parar para tomar fôlego, a regra nessa parte é "devagar e sempre!" haha.

Tropa Sênior completa, no Camapuã. 



Cume do Camapuã

Chegamos no cume após umas 3 horas de subida. Tínhamos nos separado em dois grupo, eu, Acassio e Lucas que íamos seguir até o Cerro Verde, e Mariana, Bruna, Eduardo, Felipe e Guilherme, que iam somente até o Tucum. Chegamos todos no Camapuã e já deslumbramos o PP ao longe, lindo, claro!
Nós 3 logo partimos para o Tucum, uma travessia fácil, durando uma meia hora. No Tucum, o PP já estava ainda mais perto e dalí víamos o nosso objetivo, o Cerro Verde, que prometia uma das vistas mais belas do Pico Paraná .

Vídeo ao chegarmos no Tucum.


Já ao começar a descer o Tucum, já sentimos a dificuldade, a travessia até o Cerro Verde era na verdade um precipício. Uma encosta muito íngreme, que tivemos que seguir com muita calma, e encontramos até um montanhista que seguia sozinho e tentou nos desencorajar para ir até o Cerro Verde, mas não conseguiu!
Após descermos o Tucum, iniciamos a trilha do Cerro Verde, que parecia não estar sendo usada frequentemente, pois era uma trilha muito fechada com marcações muito pequenas, que tivemos até que ajudar com nossa própria marcação em algumas árvores.
Cerro Verde à frente, Pico Paraná ao fundo. 

Foi uma trilha tensa, fechada, deserta, dava até um medo.... Quando saímos da trilha fechada, na tensão do momento,  houve até um susto, que quem levou foi o Lucas, com um urubu que saiu voando logo atrás dele.
Continuamos o trecho final em meio as caratuvas (planta) até o cume da 3ª montanha do dia, e olha que foi bastante cansativo, mas quando finalmente alcançamos o cume, que recompensa!

Vídeo ao chegarmos no Cerro Verde.

Marcação da trilha, tãao evidente...



A vista do Pico Paraná era realmente perfeita, um monstro imperando à nossa frente, com sua silhueta clássica e maravilhosa voltada para nós, com um tempo totalmente aberto, excelente para ser deslumbrado por um bom tempo após as trilhas exigentes. E não só o PP, mas a Serra toda podia ser contemplada, no Cerro Verde você se sente totalmente inserido nas montanhas, pois estamos cercados por elas de todos os lados, o que é incrível, um verdadeiro Fugere Urbem !
 Pico Paraná visto do Cerro Verde.




A sensação é única, ainda mais quando estamos sozinhos e longe de tudo e todos. Quando assinamos o caderno no cume, a reação não podia ser diferente, vários palavrões saíram, pois tínhamos feito um belo esforço para chegar até lá! E olhe que éramos fortes pra montanha, e quando chegamos, foi extasiante!  Fizemos até piada, que no fim do dia teríamos feito 5 subidas e 5 descidas, o que parecia um grande feito, e olhe que foi...

E agora voltar tudo isso? 



Passamos perto de 1 hora no cume, e como ainda tínhamos que voltar 3 montanhas, estava na hora de ir. Descendo tuuudo de novo e subindo todo o precipício pra chegar no Tucum de novo, finalmente a pior parte tinha passado e aproveitamos pra ver o entardecer jogados no chão do tucum e depois no Camapuã, contemplando a vista da Serra amarelinha do Sol se pondo, sensacional!

Entardecer no Camapuã. 

Após a travessia até o Camapuã, fizemos a descida dele no escuro, com 2 lanternas, um pouco ruim, é claro, mas um toque a mais na aventura.

No total perdemos um dia inteiro da manhã até a noite, em cerca de 8 horas. É uma travessia cansativa, todos nós concordamos nisso, mas que vale a pena, como sempre, e MUITO, uma das vistas mais belas que já contemplei e
as travessias mais demoradas e exigentes são as que nos proporcionam os maiores prazeres, as melhores catarses e os sentimentos de conquista e liberdade são indescritíveis!





Quem tiver perna, que vá!