"Atualmente todos vivemos em um mundo dominado pelas máquinas. Quase não restam em nosso deteriorado planeta espaços livres, onde possamos esquecer nossa sociedade industrial e testar, sem sermos incomodados, nossas faculdades e energias primitivas. Em todos nós se esconde uma saudade do estado primogênito, com o qual podíamos calibrar-nos com a natureza e enfrentá-la, descobrindo a nós mesmos. Aqui está basicamente a razão de não haver para mim uma meta mais fascinante que esta: Um homem e uma montanha. "

(Reinhold Messner)

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

11ª Mostra Internacional de Filmes de Montanha

Começa amanhã a 11ª Mostra Internacional de Filmes de Montanha!

O evento vai acontecer do dia 12 a 14 de novembro de 2011, na cidade do Rio de Janeiro no Cine Odeon Petrobrás.
A mostra terá como estreia o documentário "Caminhos da Mantiqueira"  de Galileu Garcia Jr. , um longa metragem que apresentará a Serra da Mantiqueira como um Road Movie, pois foi filmado durante uma viagem da equipe, de 35 dias passando por 40 cidades da serra, escalando as montanhas, caminhando pelas florestas e mostrando a vida das comunidades pelas quais eles passaram durante o caminho.
Além desse filme, na estréia também haverá a exposição fotográfica "Mountain Bike 2.8" de Pedro Cury, com fotos da viagem do fotógrafo pela Europa, pelos países Espanha, Alemanha e  Áustria, com aproximadamente 20 fotos envolvendo ciclismo e montanhas. Essa é a exposição fotográfica do vencedor da Mostra fotográfica do ano passado, e da Mostra Fotográfica desse ano, o vencedor ganhará uma exposição na Mostra ano que vem na 12ª Mostra Internacional de Filmes de Motanha. E é aí que está meu envolvimento com esse evento. Eu e todos os outros participantes enviamos 3 fotos, profissionais ou amadoras, para serem avaliadas pelo juri técnico, dentre todos os competidores, 2 saíram finalistas, e agora concorrem por votação do público, que é feita pelo facebook, para o prêmio.
O tema da minha exposição foi "Mundos Além Céu - Montanhas do Paraná" e as fotos que enviei foram todas amadoras tiradas com uma simples Sony W120, sim, aquelas compactas de bolso, tiradas na Serra do Mar paranaense, dos cumes do Pico Paraná e do Pico Abrolhos do conjunto Marumbi, as fotos foram:

cume do Pico Abrolhos, no Conjunto Marumbi. Com Junior Costa.


Cume do Pico Paraná, tempestade próxima.

 Cume do Pico Paraná, mar de núvens pela Serra do Mar.

Não fui finalista, e confesso que vendo essas fotos enviadas pelos competidores, nem estaria perto de ser mesmo. Foram 16 fotógrafos, e uma foto de cada um deles foi escolhida aleatóriamente para ser exposta na Galeria do Concurso Fotográfico, a minha escolhida foi essa do cume do Pico Abrolhos.  E olha, dêm uma olhada nisso, que vale 1000% a pena, as fotos são simplesmente FANTÁSTICAS, os lugares são incríveis, com montanhas do mundo todo, e a percepção fotográfica é incrível! Mesmo eu não ainda não tendo tido o privilégio de ir para grandes cordilheiras, vulcões e outros lugares incríveis dessas fotos, já fico feliz em ter participado e representado um pouco das montanhas brasileiras, especialmente as paranaenses, tão amadas por quem já teve a oportunidade de conhecer, além de ter minha foto publicada ao lado de outras tão espetaculares, e ser exposta num evento tão importante para o montanhismo no mundo todo.

Link com as fotos da Galeria do Concurso Fotográfico, é o último tópico da página: http://www.filmesdemontanha.com.br/atividades_paralelas.php?AnID=2011#7

Link para vocês verem e votarem em um dos fotógrafos finalistas:
http://www.filmesdemontanha.com.br/concurso_fotografico.php

No dia 12, domingo, inicia a Mostra Competitiva de Filmes de Montanha, com 12 filmes nacionais selecionados, vindos de 6 estados brasileiros, que serão todos exibidos e depois, os melhores, escolhido por um juri de esportistas, fotógrafos e diretores, serão premiados com o troféu Corcovado nas categorias filme, diretor, fotografia e montagem, e um será premiado como melhor filme por júri popular.
Os filmes exibidos serão:
"A Dança do Tempo", de Christian Spencer.
"A Terra da Lua Partida", de Marcos Negrão e André Rangel
"Aconcágua despertando potenciais", de Alexandre Haigaz
"Arredores", de Natássia Ferreira Augusto
"Blocos A2", de Ricardo Cosme
"Borboleta Azul", de Tomaz Cavalieri
"Com a Mãe Joana", de Dodi Echternacht
"Copa Internacional de Mountain Bike - Araxá", de Juliano Guerra
"Montanha Serra Verde Mato", de Walfried Amaral Weissmann
"Quanta Patagônia", de Guilherme Pahl e Marcio Cesar
"Red Bull Psicobloc", de Andre Duck e Wiliand Pinsdorf
"TEPUI - Escalada ao Salto Angel", de Frederico Sanz e Edemilson Padilha

 Confira mais informações sobre esses filmes e sobre os vencedores do ano passado pelo link:
http://www.filmesdemontanha.com.br/mostra_competitiva.php

No dia 14, acontecerá a Mostra Banff, um festival com duração de um dia, de filmes, slides, palestras, livros  e fotografias sobre montanhas do mundo todo, e os melhores filmes após selecionados vão percorrer o mundo, é o The Best of the Banff Mountain Film Festival World Tour, que passará por aqui trazendo os filmes:
"The Asgard Project", de Alastair Lee
"Life Cycles" , de Rian Gibb e Derek Frankowski
"Miracle in the Storm", de Nial Fulton
"The Longest Way", de Christoph Rehage
"Dream Result", de Rush Sturges
"Second Nature", de Colin Blackshear
"The Swiss Machine", de Nick Rosen e Peter Mortimer
"Tuzgle", de Julien Nadiras e Vladimir Cellier
"Living the Dream", de Renan Ozturk.
Mais informações sobre esses pr aqui:
http://www.filmesdemontanha.com.br/mostra_internacional_d.php?an=2011&m=ba

Ainda no dia 14, às 22hras, ocorre a premiação com os troféus Corcovado e depois a festa "Pessoas do Século Passado "

Os ingressos para assistir os filmes custam R$20,00 a entrada inteira e R$10,00 a meia, ou R$75,00 para todas as sessões, no Cinema Odeon Petrobrás, na Cinelândia, Centro do Rio de Janeiro, e podem ser adquiridos por qualquer pessoa. Se você estiver por perto, vale a pena conferir, afinal é um eventeo internacional trazendo o que o montanhismo tem de melhor!

Mais informações pelo site oficial http://www.filmesdemontanha.com.br/index.php


sábado, 29 de outubro de 2011

Vila Velha e Furnas do Tamanduá. Congresso de Espeleologia II

Como prometido, hora de dar continuidade à postagem "Agora é nas cavernas - Congresso de Espeleologia I".

Pra quem não leu a parte I, estou fazendo o relato da minha participação no  "31º Congresso Brasileiro de Espeleologia" (espeleologia é a ciência que estuda as cavernas e paisagens cársticas), que aconteceu entre 19 e 26 de julho em Ponta grossa-PR, no Câmpus Uvaranas da UEPG, e no 1º post contei um pouco sobre o congresso no geral e sobre as saídas da campo no Buraco do Padre e na caverna Olhos D´água. Nesse post resolvi dar um enfoque maior para a geologia do Parque Estadual de Vila Velha, por ser uma região realmente impressionante e com história que merece um maior entendimento.


A primeira saída de campo que fiz no Congresso foi para Vila Velha, o ponto turístico mais conhecido da região de Ponta Grossa, e que tem uma fama merecida. Além da beleza estética, para qualquer pessoa, que o local possui, lá também há uma enorme riqueza geológica, com suas feições e história.
A parte mais famosa do parque são as esculturas nos arenitos periglaciais chamados "Arenito Vila Velha", um relevo de morros testemunhos em ruínas, do Grupo Itararé, pertencente a bacia do Paraná no 2º Planalto paranaense, que tem aproximadamente 300 milhões de anos (Carbonífero a Permiano) e  apresentam-se hoje como esculturas de +- 30 metros de altura, moldadas por diferentes formas de erosão, e tem uma cor avermelhada devido ao cimento ferruginoso da rocha.


O principal símbolo de Vila Velha é "a taça", as formas peculiares dos arenitos são reconhecidas popularmente pelas formas imagináveis, como: garrafa, esfinge, camelo, cidade ciclópica  etc. Os arenitos cupam uma grande área no parque que tem 3.122 ha, e são resultado de densos fluxos gravitacionais de bases de geleiras e com influências hidrodinâmica de ambientes rasos e marés. O principal agente erosivo é a água pluvial, sendo intensificado por intemperismo de organismos e ação solar. A erosão mecânica causada pelas águas, junto com a dissolução do cimento da rocha, no topo dos platôs, forma os chamados "lapiés", esses recortes no topo das esculturas.

Topo dos morros testemunhos recortado, lapiés.

 Essas mesma ações nos paredões formam reentrâncias que isolam torres com topos alargados. Ocorre também a chamada erosão alveolar, causada pela água que dissolve certos componentes da rocha e forma espécies de buracos na rocha, os alvéolos.


intemperismo alveolar

As diferenças de textura e cimentação na rocha, e a ressurgência de águas de infiltração,  fazem com que o intemperismo e  a erosão ocorram de forma diferente nos setores das rochas, é a chamada erosão diferencial de estratos menos resistentes, causando as formas esculturais côncavas.



Depressão coberta por vegetação é um dique de diabásio erodido.

Além dos arenitos, no Parque Estadual de Vila Velha também estão presentes as furnas e a Lagoa Dourada. Estão presentes no parque 4 furnas, só duas recebem visitação, uma delas tem até um elevador que levaria os visitantes ao interior da cratera, mas este está desativado há +- 10 anos por estar em condições impróprias e de risco. Essas furnas tem de 75 a 100 metros de diâmetro e profundidades de 20 até 100 metros, tomadas por água até aproximadamente sua metade. São uma visão impressionante, ainda mais com a água entre verde e azul forte que as preenche. As furnas são todas ligadas pelas mesmas águas subterrâneas, uma ligação de 3 km, assim como  a Lagoa Dourada, que fica, de fato, dourada com o reflexo do sol na água da lagoa com fundo revestido por micas. 


Nas duas acima, uma das furnas, com elevador desativado.
Lagoa Dourada acima.

O Parque recebe cerca de 200mil visitantes por ano e por esse alto fluxo turístico, conta hoje com uma grande infraestrutura para visitação, visando preservar a área. 

Outra saída de campo que participei foi para as Furnas do Tamanduá 1 e 2. Essa saída foi muito legal pelas paisagens da região, com um relevo plano contrastando com as crateras das Furnas, que  são realmente impressionantes, e pode-se orservar diferenças no fraturamento, e dobras nas rochas das furnas. Elas se localizam em Balsa Nova- PR, e são resultado da erosão do arenito, e não do embasamento carbonático.

 Furna do Tamanduá 1


Furna do Tamanduá 2

Durante a caminhada entre as furnas observa-se no terreno arenítico várias dobras evidentes nas camadas bem marcadas e coloridas dos afloramentos.






 Também estramos em um clube, com uma cachoeira de origem artificial e entramos em uma pequena gruta, onde finalmente consegui ver os morcegos! Só pena, não consegui boas fotos... 



Indico a todos esses pontos turísticos, que são realmente muito belos, para quem é das ciências da Terra ou não. Dica universal, explorem o que está a nossa volta!

Referência para informações sobre Vila Velha de Mario Sérgio de Melo, Élvio Pinto Bossetti, Luiz Carlos Godoy e Fernando Pilatti. "Sítios geológicos e paleontológicos do Brasil - 029 - VILA VELHA"
© Melo,M.S.; Bosetti,E.P.; Godoy,L.C.; Pilatti,F. 1999. Vila Velha. In: Schobbenhaus,C.; Campos,D.A.; Queiroz,E.T.; Winge,M.; Berbert-Born,M. (Edit.) Sítios Geológicos e Paleontológicos do Brasil. Publicado na Internet em 18/11/1999 no endereço http://www.unb.br/ig/sigep/sitio029/sitio029.htm 

Fotos: Veleda Astarte

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Agora é nas cavernas- Congresso de Espeleologia pt1

Dessa vez eu não fui pra cima, tentar tocar o céu, ao contrário, fui pra baixo, sob a superfície conhecer um novo mundo, o das cavernas.


Foto na Caverna Olhos D´água. 22´´, f5,6, iso200. 


Vou tentar não ser tão detalhista nesta postagem, afinal quero contar sobre o 31º Congresso Brasileiro de Espeleologia, e foi uma semana de congresso, com palestras, mini-cursos, mesas redondas e saídas de campo, além das festas, então teria muuita história a ser contada. Mesmo assim, não vou escrever tudo de uma vez, então essa é a primeira parte da postagem, uma segunda virá e talvez até uma 3ª. Aguardem. 


Fiquei sabendo do congresso de espeleologia, que é o estudo de cavernas,  por cartazes no bloco de geologia da UFPR, achei massa. Depois, o Victor, amigo que faz geografia veio contar que tinha feito a inscrição, me mostrou o site e falou como ia ser, aí sim fiquei super animada e decidi que sim, eu iria.


O congresso aconteceu em Ponta Grossa-PR, entre os dias 19 a 26 de julho, no campus Uvaranas da UEPG, organizado principalmente pelo GUPE (Grupo Universitário de Pesquisas Espeleológicas) de Ponta Grossa, e posso dizer que foi realmente incrível. Estavam presentes lá geógrafos, biólogos e geólogos em peso, mas também havia pessoas de outras áreas como turismo e engenharia. Foram dias de convivência extremamente diversificada, com desde graduandos até doutores, gente de todos os cantos do Brasil e até do mundo, pois tinha espanhol, italiano e a até suíço, o que tornou a experiência muito interessante, principalmente para abrir a cabeça e deixar os preconceitos com qualquer curso de lado.
O mais interessante foi descobrir a paixão que algumas pessoas tem pelas cavernas, pois eu não conhecia isso, mas entendi perfeitamente o que eles sentem, pois tenho a mesma paixão pelas montanhas. Uma das palestrar que fui foi sobre Geopoética e a filosofia das cavernas, parece um tema nada a ver, mas tem tudo a ver. É o sentimento de libertação, admiração e satisfação ao visitar uma caverna, explorar algo novo, passar por momentos difíceis e emocionantes, e estudar algo super interessante e belo. E isso se torna um vício para essas pessoas, que vivem com a necessidade de estar explorando as cavernas e tem isso como até um sentido na vida.




Os dois primeiros dias do congresso, talvez tenham sido os melhores em termos de aventura, foi uma saída de campo de duração de 2 dias, com visita a caverna de Pinheiro Seco, no município de Castro- PR e outras cavernas da região, essas cavernas não são muito visitadas, e se não estou enganada alguma nem estavam corretamente mapeadas, o Grupo Universitário de Pesquisas Espeleológicas (GUPE), da Universidade de Ponta Grossa, é que tem explorado essas cavernas e guiou os congressistas nessa saída de campo, e em todas, afinal foram os principais organizadores do evento. Ainda não me perdoo por isso, mas perdi essa saída de campo, pois não poderia ir nas datas. Na caverna de Pinheiro Seco, repórteres da RPC acompanharam o grupo e o programa foi ao ar no programa Meu Paraná:




O dia em que cheguei assisti a um minicurso de Geomorfologia no Carste, com o professor Rubens Hardt. Simplificadamente "carste é a paisagem onde o substrato rochoso é constituído por rochas solúveis em água acidificada, apresenta uma topografia muito peculiar, originada pela lenta dissolução de tais rochas (milhares de anos), resultando na formação de dolinas, desaparecimento de drenagens, surgências, formação de cavernas e por uma complexa drenagem subterrânea." Definição de Gil F. Piekarz no livro "Geoturismo no Karst". Foi um ótimo minicurso e deu uma excelente noção do que afinal iríamos ver durante os vários dias do congresso.
Houve no congresso diversos minicursos como o de topografia de cavernas, noções de fotografia em cavernas, técnicas verticais em cavernas, introdução a biologia subterrânea entre vários outros.


Um dos que fui na saída de campo foi no de Topografia em cavernas, com campo realizado no Buraco do Padre, um dos principais pontos turísticos da região. o Buraco do Padre é uma furna no distrito de Itaiacoca a 26 km de Ponta Grossa, com uns 50 metros de altura e 30m de diâmetro, em seu interior cai uma cachoeira de uns 30 metros de altura vinda do rio Quebra Perna. O lugar é fantástico, entramos por baixo da furna e até tomamos um banho na cachoeira que cai realmente com muita força e o capacete foi muito necessário, também entramos em uma fenda muito estreita que lembrou até "127 horas" hahaha, e achamos até mini estalactites na rocha.  Junto com o Buraco do Padre se localiza a Fenda da Freira, que é um deslocamento de rocha atrás da furna, mas lá não visitamos no minicurso, mas dizem ser também muito interessante. Indico o ponto a todos, com toda certeza, é lindo e de uma geologia muito interessante. 








 topografando a  furna

Mini-espeleotemas encontrados na cavidade das rochas areníticas.

Outro minicurso do qual participei foi o de Noções de fotografia em Cavernas e foi a atividade que mais gostei de ter participado no congresso, pois juntou o ambiente peculiar de uma caverna linda, a fotografia, que tem sido uma das coisas que mais tenho me interessado e praticado como hobbie. No curso aprendemos sobre abertura do obturador que deve ser grande, as fotos foram tiradas em f5,6, isos, o usado foi o 200 para não se perder resolução, e não foi usado o flash interno da câmera, e sim 2 flashes auxiliares. É um tipo de fotografia muito interessante, em que a velocidade deve ser usada em modo B e as fotografias foram tiradas tendo em média 30seg até 1minuto, o obturador é disparado e lança-se um flash no primeiro plano da foto, ainda com a fotografia sendo tirada, tampa-se a lente para não capturar nenhuma luminosidade não desejada, então se destampa e lança-se um segundo flash em outro plano da foto, e se preciso repete esse processo mais algumas vezes até se iluminar todos os planos que você quiser capturar. 


Acima foto com 3 planos iluminados, note a profundidade e o fantasma do espeleologo que disparou os flashes ao se deslocar. 18mm, 34seg. de exposição, iso200 e F5,6.


Foto só com os dois 1ºs planos iluminados                       Foto só com o 3º plano iluminado

Quanto maior o tempo de exposição mais “laranjada” ficará a foto, e em fotografias de caverna deve sempre ter alguém aparecendo para servir de escala no local. É  preciso se ter paciência para tirar essas fotos, para tirar uma que fique boa se perde um bom tempo, precisa pelo menos 2 pessoas para fazer as fotos e o uso o tripé INDISPENSÁVEL, além de ser muito difícil focar essas fotos com o ambiente muito escuro, o que às vezes queima algumas fotos por se errar no foco. O campo foi na caverna Olhos D´água, que é uma caverna calcária linda, com +- 500metros de desenvolvimento linear, com grande galerias cheias de estalactites, estalagmites, colunas e outras formações interessantes, ela tem 1,6 Milhões de anos e pertence ao Grupo Açungui, e pode se ter extração de mármore,calcário, talco, chumbo e ferro. Para explorá-la em alguns momentos tínhamos até que passar rastejando por canais estreitos e se molhar mesmo, pois apresenta curso hídrico em todo seu trajeto, tomando cuidado, claro, com o equipamento fotográfico. 


Acima 1ª foto tirada na caverna, 22seg de exposição, 18mm, iso 200, f5,6.
Abaixo mesmas regulagens, com 31 seg de exposição.


Acima 5``




 Para mim que só tinha visitado cavernas quando ainda era criança, foi uma experiência nova, achei um ambiente fantástico tanto pela beleza e a aventura quanto pela geologia, que é uma coisa incrível nas cavernas. E o uso de capacete é realmente indispensável, sem querer bati a cabeça várias vezes, e também é preciso a lanterna de cabeça e uma roupa pra ser sujada!
A caverna Olhos D´água fica no município de Castro, distrito de Abapã, a uns 48km de Ponta Grossa e é aberta para visitação diária e seu acesso é pela estrada PR 513. Foi  o lugar que mais gostei de visitar e indico a todos também!






Termino por aqui essa 1ª parte, mas fiquem ligados nos próximos posts que tem ainda muitos lugares interessantes visitados no 31º Congresso Brasileiro de Espeleologia!