"Atualmente todos vivemos em um mundo dominado pelas máquinas. Quase não restam em nosso deteriorado planeta espaços livres, onde possamos esquecer nossa sociedade industrial e testar, sem sermos incomodados, nossas faculdades e energias primitivas. Em todos nós se esconde uma saudade do estado primogênito, com o qual podíamos calibrar-nos com a natureza e enfrentá-la, descobrindo a nós mesmos. Aqui está basicamente a razão de não haver para mim uma meta mais fascinante que esta: Um homem e uma montanha. "

(Reinhold Messner)

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Caminho do Itupava- longo e emocionante

Quase comecei esse post contando outra história antiga... qndo lembrei da primeira vez q fiz o Caminho do Itupava, que tinha até me esquecido, e essa sim foi a 1ª trilha considerável que fiz...

O Caminho do Itupava liga o município de Quatro- Barras a Porto de Cima, pela Serra do Mar. Quatro Barras está a uma altitude de +- 990m e quando se chega ao fim, em Porto de Cima, a altitude é de +- 30 m do nível do mar, então se desce 960m de altitude em aproximadamente 25 km de extensão.
Fomos em um grupo de umas 13 pessoas, por aí, fui pelo movimento escoteiro, e e mais uma escoteira em rota (quando se está em transição entre a tropa escoteira e a tropa sênior) e mais uma chefe do meu grupo, o São Gaspar Bertoni, e com a tropa sênior do G.E. Universitário. Na época eu nuca tinha feito uma trilha longa, e realmente adorei a experiência.
No início do caminho, a trilha tem algumas subidas, um pouco cansativas, mas depois torna-se uma descida constante. Então o cansaço não ocorre pelo esforço de subir, mas sim pela extensão da trilha, são 25 km que dependendo do ritmo do grupo demoram muitas horas para serem completos. O IAP (Instituto Ambiental do Paraná)  estima 8 horas para completar o trajeto, mas nosso grupo tinha alguns membros mal preparados, o que acabou atrasando a trilha, que completamos em +- 10 horas.

O Caminho é realmente muito lindo, passamos por algumas  cachoeiras durante o trajeto, uam delas bem grande e emocionante, pois tem uma ponte para atravessá-la que na época não tinha nada para segurar, e quem tem medo de altura ou labirintite era melhor não tentar... mas hoje possui um cabo de aço para segurar.
Ponte hoje em dia, com o cabo de aço.

Nesse trecho, os grupos normalmente param para almoçar, afinal para quem sai de manha, normalmente se chega nesse lugar pelo meio-dia. 

No meio do caminho outros pontos muito interessantes são encontrados, como as ruínas da casa do Ipiranga, uma casa construída em 1885 para a morada dos operário e engenheiros da estrada de ferro Curitiba-Paranaguá. São ruínas bastante interessantes e apesar de depredada é ainda uma construção bonita, ainda mais observando-se o fator histórico. 




Ruínas do Ipiranga

Também há o Santuário de Nossa Senhora do Cadeado, em um trecho mais para o fim da trilha, quando se passa pela estrada de ferro, tem-se ao fundo uma bela vista do suntuoso Pico Marumbi, e o inicia-se a finalização do caminho com a chamada trilha do sabão, devido às rochas lisas e escorregadias desse trecho de descida .

Santuário do cadeado, Pico Marumbi ao fundo. 

Durante o Caminho passamos várias vezes pelo trilho do trem também, no entanto é proibido fazer a travessia completa pelo trilho, afinal acidentes podem SIM acontecer, mas uma história dessas eu vou deixar para outro post...

Estrada de ferro Curitiba-Paranaguá

A trilha do sabão pode ser bastante crítica, ainda mais se tiver chovido recentemente, mas é bem legal... 
O caminho termina com uma entrada que leva à estação de Engenheiro Lange, na base do Pico Marumbi, onde se tem um camping controlado pelo IAP e gratuito! Mas dessa vez estávamos só fazendo um bate e volta, e não acampamos. Nosso azar é que como nos atrasamos durante o percurso, quando chegamos em Porto de Cima, os ônibus para Morretes já haviam parado de passar, tivemos que caminhar mais um pouco, quando começou a chover, e tivemos que  pedir para um morador nos levar numa kombi até a rodoviária em Morretes (se não me engano). Pegamos o ônibus, acho que da viação Graciosa, até Curitiba, e tivemos que trocar a passagem devido ao atraso, chegamos em Curitiba perto da meia noite. 


O bom do Caminha do Itupava é que o acesso é muito fácil, pode-se pegar o ônibus Ctba-Quatro-Barras e no terminal de Quatro- Barras o Q.Barras- Borda do Campo e ir até o ponto final, próximo a estação do IAP, a mesma na base do Anhangava, a trilha do Caminho do Itupava sai do mesmo lugar. A passagem gasta é simplesmente R$2,35, só para voltar que tem que ser por ônibus de viagem ou trem, que são meios mais caros. Ou subir todo o Caminho novamente... hahah

O Caminho é realmente lindo e indico a todos, apesar de demorado é tranquilo de fazer, afinal é quase só descida, a trilha também é bem sinalizada e preservada, agora com várias pontes que não tinham antes. 
O problema é que a trilha está interditada devido às chuvas no início desse ano e a mata precisava se recompor, mas agora já deve estar próxima da data para ser reaberta, afinal já se passaram uns 3 meses com ela fechada. Ele tem muita história e muitas belezas naturais, e para quem quiser, recomendo dormir na Engenheiro Lange e voltar de trem no outro dia, a volta de trem é muito interessante e o camping como já disse é bom e gratuito. Para os mais animados, podem subir o Marumbi no dia seguinte também!

Infelizmente não tenho fotos dessa 1ª vez que fiz o Caminho, foram tiradas algumas em outras câmeras e acabei não pegando depois. As fotos que pus aqui são da 2ª vez que fiz a trilha e de outros visitantes. 
O Caminho do Itupava sim despertou em mim muita paixão por montanhas e trilhas, achei realmente sensacional e ao fim se tem uma sensação muito boa de esforço que vale a pena!

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