"Atualmente todos vivemos em um mundo dominado pelas máquinas. Quase não restam em nosso deteriorado planeta espaços livres, onde possamos esquecer nossa sociedade industrial e testar, sem sermos incomodados, nossas faculdades e energias primitivas. Em todos nós se esconde uma saudade do estado primogênito, com o qual podíamos calibrar-nos com a natureza e enfrentá-la, descobrindo a nós mesmos. Aqui está basicamente a razão de não haver para mim uma meta mais fascinante que esta: Um homem e uma montanha. "

(Reinhold Messner)

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Everest - O diário de uma vitória


 Olá, hoje vou colocar aqui uma sugestão de leitura pra quem curte montanhismo e aventura!
O livro "Everest - O Diário de uma Vitória" de Waldemar Niclevicz, editora Sagarmatha, é de 1995, data em que o montanhista de Foz do Iguaçu, mas que morou boa parte de sua vida em Curitiba, e iniciou-se no mundo do montanhismo através da Serra do Mar, e foi  juntamente com Mozart Catão do Rio de Janeiro, os primeiros brasileiros a alcançar o cume do Monte Everest, montanha mais alta do mundo com 8848m, fazendo parte de cordilheira do Himalaia, na divisa do Nepal com o Tibete (hoje incorporado a China). E só para esclarecer, Mozart Catão foi sim o parceiro de Niclevicz na subida ao Everest e eles dividiram o mérito sim, mas ao contrário do que muitos pensam eles não eram uma dupla que sempre escalou junto, e antes do Everest eles mal se conheciam, mas durante a subida formaram a dupla mais bem preparada da equipe. Mozart faleceu em 1998 em uma avalanche na face Sul do Aconcágua - Argentina.
Foi o último livro que li, e até hoje o mais empolgante e que mais me envolveu. Não é nenhum romance, não tem fantasia  nem ficção, mas se passa no lugar mais fantástico da Terra e faz o leitor se sentir no Himalaia a cada linha, pra quem curte montanhismo é realmente um livro apaixonante que te faz esquecer de tudo quando está lendo. O livro é um relato do próprio alpinista W. Niclevicz, sobre a 2ª vez que esteve na montanha, na 1ª vez ele subiu pelo lado nepalês e chegou a 8504m, mas por falta de equipamento e organização adequada não alcançou o cume, em 1991.
Em seu retorno em 1995, Nicleviz vai com uma expedição de 16 alpinistas, liderada pelo britânico Henry Todd, com o objetivo de alcançar o cume pelo Tibete, a face norte, e a mais difícil tecnicamente.
No livro Niclevicz conta muito mais do que o relato da subida, passa para o leitor todo o universo nepalês com seus costumes, visita as stupas (espécies de templos budistas), apresenta o lado hindu e conta diversas histórias e tradições do povo que venera o Sagarmatha, nome em nepali do Everest, que significa "O Teto do Céu". Também registra diversas histórias e aspectos da terra de Dalai Lama e seu povo tibetano, que chama o Everest de Comolungma - " A Deusa mãe do mundo", fazendo com que o leitor fique se remoendo de vontade de visitar esses países (hoje o Tibete faz parte da República da China). Ao longo do livro texto, vem também imagens feitas pelo prórpio Waldemar, que além de registrar a subida em seu diário também tira fotos e filma a expedição, depois lançando o livro "Everest - Sagarmatha - Chomolungma " de fotografias e o VHS com o mesmo nome do livro texto. Assim, a vontade aumenta ainda mais, as fotos do povo oriental são fantásticas e as das paisagens do Himalaia então, dão até um calafrio ao serem vistas.
 livro texto
 livro de fotografias



Eu adquiri o livro texto e o livro de fotografias, os dois são incrivelmente fantásticos e ainda pretendo adquirir a versão em vídeo, para me sentir ainda mais próxima do teto do céu.
Niclevicz documenta cada dia dos quase 3 meses que passa viajando em busca do cume do mundo, entre 8 de março de 1995 e 30 de maio de 1995, em que no dia 14 de maio as 11h22min finalmente alcança o cume do Everest e passa certamente a melhor sensação que se pode sentir no mundo para o leitor, que se for como eu se emocionará também!
Com o livro além de boas sensações se aprende muito sobre a cultura dos povos orientais, sobre técnicas de alpinismo, sobre as sensações sob o ar rarefeito , as formas de aclimatação etc. Quem curte montanhismo certamente vai adorar e eu recomendo com 100% de aprovação, só cuidado, porque você pode ficar louco querendo subir o Everest, como aconteceu comigo! Termino com a citação:

Estou fora de todas as minhas prisões.
Estou livre de todos os meus desejos.
Estou sem nada, neste mundo que quer que eu tenha tudo.
Minha vida é o que me satisfaz. 
[...]
A montanha é o meu caminho e eu não voltarei atrás. 
As pedras vão surgir, o gelo, o vento...
Mas o meu amor, a minha honra, o meu sofrimento me levará à minha maior conquista; a minha própria liberdade. 
Waldemar Niclevicz

terça-feira, 5 de julho de 2011

Itapiroca - dia bom, vista boa



Vou contar hoje da primeira vez que fui pra alguma montanha do conjunto do Pico Paraná, no dia 3 de setembro de 2010, o Itapiroca. Fui mais uma vez pelo grupo escoteiro e fiquei encarregada de organizar essa atividade. O mais difícíl, foi, como é na maioria das vezes, arranjar os carros... Para ir para as montanhas da Serra Ibitiraquire, as do conjunto do Pico Paraná, o acesso de ônibus é dificil e caro, é preciso pegar ônibus de rodoviária, se não me engano da Princesa dos Campos, e parar na na BR-116, após o pedágio de R$1,50 após a entrada para a Estrada da Graciosa, e ir andando todo o trecho pela estrada de chão toda acidentada e cheia de curvas que leva até a fazenda do Pico Paraná, esse trecho dá uns 6 km. Optamos em ir de carro, afinal ninguém sabia direito como chegar de ônibus e o ônibus de rodoviária é sempre caro, o problema era com que carros... conseguimos um com um amigo nosso, que já havia saído do Grupo há alguns anos mas que topou ir conosco na subida e depois eu convidei outro amigo que foi de carro e foi como nosso guia, afinal conhecia muito bem a região e a trilha do Itapiroca. Os planos iniciais na verdade eram bem diferentes, um amigo nosso, o Farico, que sempre ia de guia conosco tinha prometido ir nessa também, e disse que seria possível irmos para o Itapiroca e ainda fazer um ataque ao Pico Paraná, os que estivesses com um ritmo melhor... hoje vejo que essa idéia seria impossível! Se fôssemos acampar quem sabe, mas em um dia só não, o PP não é qualquer montanhinha que se sobe em 1 hora! 
No fim das contas o Farico acabou que não pôde ir, e fomos apenas com o objetivo de fazer um bate e volta no Itapiroca. 
Fomos em um grupo de 9 pessoas, saímos num domingo de manhã de Curitiba, +- 8horas. Depois de passar o pedágio paramos no posto de gasolina Tio Doca, um pouco antes da entrada para a estrada de chão, e compramos algumas coisas para comer durante a subida. Ao chegar na fazenda do Pico Paraná, pagamos od 10 reais por carro se não me engano e fizemos o registro, a fazenda é particular, então não tem controle do IAP, mas mesmo assim o dono faz um controle sobre a área, e também aproveita todo o turismo de aventura que é feito na sua área com as taxas... haha


Foto na Fazenda do Pico Paraná 

Iniciamos a subida umas 9:30 h, no começo foi tudo tranquilo, e eu particularmente achei a subida toda muito tranquila, sem dificuldade, mas não foi assim pra todos. Uma das meninas que estava com a gente, que nunca tinha subido uma montanha antes, realmente sofreu na subia... foi em um ritmo bem devagar, e em um momento perto do pico do morro Getúlio, ela realmente passou mal, teve que parar e esperar um tempo, pois teve falta de ar, mal conseguia falar. Essa hora foi meio tensa, mas convencemos ela a não desistir, e continuamos. O dia estava muito quente, e talvez isso tenha atrapalhado também, eu pelo menos prefiro muito mais subir montanha no frio, contanto que o tempo não esteja nublado nem chuvoso, e nesse dia, a vista estava excelente, céu azul  limpíssimo. Quando chegamos no Getúlio a vista já começou a recompensar, dava para ver boa parte da Serra e da represa. 









Fotos no Getúlio

Mais um tempo de caminhada, não me recordo bem dos tempos que fizemos, mas para mim não pareceu muito, umas 3 horas de subida talvez, e chamos ao cume, com 1805metros de altitude, ao chegar no cume a vista vale 100% a pena, a visão mais clássica do Pico Paraná estava perfeita, o PP mostra-se realmente imperando sobre a Serra, muito lindo e com o tempo que estava a visibilidade foi perfeita. O cume parece incrível para acampar, tem uma área relativamente grande e plana, boa para armar barracas e poder ter um nascer do sol que deve ser incrível com aquela vista! Ainda prentendo ir lá para acampar, com certeza! 



























Após ficarmos um tempo no cume, +- 1hora e meia, comermos alguma coisa e admirarmos a bela vista, iniciamos a descida, que não teve grandes complicações, em umas 2 horas completamos a descida, e para alguns ainda teve banho no lago da fazenda, não me aventurei....
A experiência foi realmente boa e recomendo a todos, não é uma subida difícil, é uma montanha de grande altitude (para os níveis brasileiros pelo menos) e a vista é sensacional!






Fotos durante a trilha


Fotos por Veleda Müller.