"Atualmente todos vivemos em um mundo dominado pelas máquinas. Quase não restam em nosso deteriorado planeta espaços livres, onde possamos esquecer nossa sociedade industrial e testar, sem sermos incomodados, nossas faculdades e energias primitivas. Em todos nós se esconde uma saudade do estado primogênito, com o qual podíamos calibrar-nos com a natureza e enfrentá-la, descobrindo a nós mesmos. Aqui está basicamente a razão de não haver para mim uma meta mais fascinante que esta: Um homem e uma montanha. "

(Reinhold Messner)

sábado, 7 de janeiro de 2012

Camapuã - Travessia noturna!

2012 chegou, e o Além dos out-doors voltou. Um pouco de fôlego pós datas especiais e afazeres de fim de ano, vamos lá pra mais uma história de montanha!



Pra começar o ano, vamos com algo nao muito antigo, então contarei da travessia noturna que fiz no Camapuã em novembro de 2011.

A vontade por uma montanha ia longe, ainda mais depois do feriado, se não me engano de 15 de novembro, que foi todo planejado pra Serra mas acabou que só deu em chuva e 4 dias em casa pra todo mundo. Foi o próximo fim de semana com sol, e já apreveitamos pra descontar o tempo perdido. Sábado de sol, com o Clã Excalibur reativado, decidimos de última, ou de primeira hora, partir pra montanha!
O cume escolhido do dia seria o Tucum, praticamente gêmeo do Camapuã, lá pros lados do Pico Paraná.

Nos reunimos a tarde pra decidir o que fazer e os planos eram sair a tardinha mesmo, em 4 pessoas, e pegar um pouco do anoitecer. Porém, até cada um ir pra casa arrumar as malas e tudo mais, acabamos saindo de carro pela 20 horas de Curitiba, e a subida acabou sendo uma travessia noturna, não 100% planejada, mas que acabou sendo uma experiência incrível.

Pra se chegar no Tucum, é preciso subir 1º o Camapuã, que leva umas 3 horas de subida, e depois fazer a travessia de um cume para o outro, mas que leva uma meia hora só. Essas montanhas tem a vantagem que não é preciso deixar o carro na fazenda do Pico Paraná, que está agora com uma taxa de R$10,00 por pessoa, o que não é muito agradável. Para chegar na base do Camapuã entra-se uma entrada antes da do Pico Paraná, uma estradinha de chão bem escondida após o posto Esso, na Rodovia Regis Bittencourt. Por lá estavam cobrando R$5,00 por pessoa, até ano passado.


Base do Camapuã, ainda na fazenda.
Para uma subida a noite, nada melhor que todos terem lanterna de cabeça, que é bem mais prática. Subir a noite dá um toque especial, e por incrível que pareça acabamos notando mais os detalhes da natureza que de dia. Logo no início da trilha, qualquer um que suba não pode deixar de parar pra admirar a árvore gigantesca no caminho, que deve ter uns bons 5 ou 6 metros de diâmetro!






Coisa interessante que só a noite notaríamos foi um orvalho, que mais parecia um grande cuspido, mas depois notamos que as folhas pela trilha toda estavam cheias daquele "cuspe" branco, cheio de bolhinhas de ar, muito peculiar!


 Pelo caminho claro que encontramos aranhas e perto do rio, que durante a trilha cruzamos 7 ou 8 vezes pelo que me lembro, encontramos até lesmas que mais pareciam sangue-sugas, nunca se sabe...

O trecho por trilha de mata fechada demora umas 2 horas para ser completado, no nosso caso, a noite que demora mais, foi +- isso, e é muito tranquilo. A coisa começa a ficar difícil mesmo quando a vegetação baixa, e o caminho vira apenas uma subida íngreme na rocha , só com vegetação arbustiva em volta. Essa parte é como se fosse aquela parte final do Anhangava, mais íngreme e direto na rocha, mas ao contrário do anhangava, que ela dura só por uns 20 minutos, no Camapuã essa subida dura mais ou menos 1 hora, ou até mais dependendo do ritmo, e confesso que exige da panturrilha!

Quando subi o Camapuã pela 1ª vez, achei essa subida terrível, e parava toda hora pra respirar, ainda mais torrando no sol, dessa vez, achei bem mais fácil, talvez por não ter o sol nas costas, mas ainda assim é muito cansativa, e a noite com muito frio e principalmente muito vento na cara, também ajudou a dificultar. Até teve quem dormiu durante essa parte final da subida (Bruno), e quem não aguentou a mala (Carol), e claro, quem levou as 2 malas (Farico). Fomos devagar, parando várias vezes, e se protegendo do frio e do vento.
É uma parte pesada mas por outro lado, dá pra ver a cidade toda iluminada ao pé do morro, o que é muito bonito, mas difícil de capturar com a câmera sem um tripé naquele vento!


Depois de algum sofrimento, sempre se chega ao cume, e estávamos tão cansados e o vendo estava tão crítico que decidimos acampar no Camapuã mesmo e não fazer a travessia até o Tucum.




Chegamos pela 1hra da manhã do dia 20 de novembro ao cume, montamos 2 barracas num dos piores ventos que já passei, e só uma delas aguentou de pé, por azar, não foi a minha. Minha barraca foi totalmente achatada e uma das varetas quebrou, não teve condições, e ficamos os 4 dormindo numa barraca pra 2, do Farico, que aliás aguentou muito bem o vento, nem sinal de quebrar, voar ou qualquer coisa do tipo. Não foi o máximo conforto, mas deu pra dormir bem, ainda mais depois de tanto cansaço e com um bom cobertor da Carol que deu pra cobrir todo mundo na barraca pequena haha. Até se preparar um bom miojo, mais sopa e tentar tirar fotos da cidade e do céu que estava incrível enquanto estava aberto, dormimos às 4 da manhã.
E claro, acordamos cedo para ver o lindo mar de nuvens misturado com tempo aberto, vento e tudo mais no outro dia de manhã.




Esse amanhecer estava realmente lindo, e a paisagem de lá é demais, nesse dia infelizmente não tinhamos a visão do Pico Paraná que estava coberto pelas nuvens mais ao longe, mas dava para se ver várias das montanhas ao redor, obviamente a crista do Tucum, ali ao lado, e a silhueta de boa parte da Serra do Mar. O legal dessas montanhas vizinhas do PP é justo essa vizinhança toda cercada de outras montanhas próximas, em que nos sentimos realmente num ninho de belos e altos montes.







Nem todos quiseram acordar de manhã para ver a vista, mas valeu 100% a pena, como sempre vale, e a vista da nuvens baixas cobrindo a cidade, a represa e os outros picos é sempre uma lavagem da alma e um ótimo momento pra se libertar da correria da cidade e sentir um pouco o vento frio entrecortante de ar puro bater com força no rosto.




Tucum ao fundo.



Infelizmente, a semana continuaria, e todos tinham suas ocupações pra segunda-feira, o que fez com que logo desmontássemos o acampamento e começassemos a descida, no meu caso, tinha uma bela prova de mineralogia descritiva esperando haha.

Descemos em umas 2 horas, descida tranquila, com dia bonito. Foi uma montanha de final de semana mesmo, rápida, mas linda e a experiência de subir a noite foi muito boa. Minha barraca, teve que ter umas gambiarras feitas depois na vareta que quebrou, mas ainda para em pé hahaha.

Minha barraca de manhã, após a ventania toda da noite...
Voltemos em breve!

3 comentários:

  1. Veleda,


    Adorei os relatos, nunca tinha visto um relato de escalaminhada a noite, além de uns doidos que conheço lá de Rezende, interior do RJ, que numa noite de lua cheia escalaram o Pico das Agulhas Negras e tiraram fotos lindas ao amanhecer.

    Muito boas fotos.

    Feliz 2012!

    Nilson Soares
    www.baiaodeideias.blogspot.com

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  2. Olá Nilson, valeu pelos elogios aí! e poxa, Agulhas Negras com lua cheia deve ser alucinante, quem me dera...

    Feliz 2012 pra você e pro Cristiano aí também!
    abraços

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