"Atualmente todos vivemos em um mundo dominado pelas máquinas. Quase não restam em nosso deteriorado planeta espaços livres, onde possamos esquecer nossa sociedade industrial e testar, sem sermos incomodados, nossas faculdades e energias primitivas. Em todos nós se esconde uma saudade do estado primogênito, com o qual podíamos calibrar-nos com a natureza e enfrentá-la, descobrindo a nós mesmos. Aqui está basicamente a razão de não haver para mim uma meta mais fascinante que esta: Um homem e uma montanha. "

(Reinhold Messner)

quarta-feira, 14 de março de 2012

Serra do Ibitiraquire, 3 em um dia!



Mais uma vez relembrando experiências antigas, hoje é dia de contar a tripla travessia que fizemos, eu, Lucas e Acassio na Serra do Ibitiraquire, a Serra do Pico Paraná, em agosto de 2010.
Com a tropa sênior do Grupo São Gaspar Bertoni, tínhamos planos de ir para o Camapuã e para o Tucum, duas montanhas praticamente gêmeas, na Serra do Ibitiraquire, com uma visão muito privilegiada do Pico Paraná. Mas nossa pretensão realmente era, além dessas duas montanhas, chegar até o  Cerro Verde, uma montanha, na verdade, pouco visitada, pois não tem um acesso tão fácil quanto as outras, ela está bem no meio da Serra e não há trilha direto para ela, sem passar pelas outras montanhas a sua volta, e que nenhum de nós conhecia.



Fomos de carro até a fazenda do Pico Camapuã, que cobra R$5,00 por pessoa para  o trekking, e é uma entrada escondida, antes da entrada para a Fazenda do Pico Paraná. Lá, iniciamos a trilha em 9 pessoas, com experientes e iniciantes. A subida do Camapuã, é uma das mais sofridas, uma grande parte é por trilha no meio da mata, mas o trecho final é uma grande subida direto na rocha, com o Sol nas costas e nada pra ajudar além das pernas, que seguem esse trecho por quase 1hra e meia até o cume. A vista dessa parte é linda, mas é exigente, eu como andava há algum tempo sem praticar nenhuma atividade física, confesso que sofri bastante. Andávamos um pouco, e já tínhamos que parar para tomar fôlego, a regra nessa parte é "devagar e sempre!" haha.

Tropa Sênior completa, no Camapuã. 



Cume do Camapuã

Chegamos no cume após umas 3 horas de subida. Tínhamos nos separado em dois grupo, eu, Acassio e Lucas que íamos seguir até o Cerro Verde, e Mariana, Bruna, Eduardo, Felipe e Guilherme, que iam somente até o Tucum. Chegamos todos no Camapuã e já deslumbramos o PP ao longe, lindo, claro!
Nós 3 logo partimos para o Tucum, uma travessia fácil, durando uma meia hora. No Tucum, o PP já estava ainda mais perto e dalí víamos o nosso objetivo, o Cerro Verde, que prometia uma das vistas mais belas do Pico Paraná .

Vídeo ao chegarmos no Tucum.


Já ao começar a descer o Tucum, já sentimos a dificuldade, a travessia até o Cerro Verde era na verdade um precipício. Uma encosta muito íngreme, que tivemos que seguir com muita calma, e encontramos até um montanhista que seguia sozinho e tentou nos desencorajar para ir até o Cerro Verde, mas não conseguiu!
Após descermos o Tucum, iniciamos a trilha do Cerro Verde, que parecia não estar sendo usada frequentemente, pois era uma trilha muito fechada com marcações muito pequenas, que tivemos até que ajudar com nossa própria marcação em algumas árvores.
Cerro Verde à frente, Pico Paraná ao fundo. 

Foi uma trilha tensa, fechada, deserta, dava até um medo.... Quando saímos da trilha fechada, na tensão do momento,  houve até um susto, que quem levou foi o Lucas, com um urubu que saiu voando logo atrás dele.
Continuamos o trecho final em meio as caratuvas (planta) até o cume da 3ª montanha do dia, e olha que foi bastante cansativo, mas quando finalmente alcançamos o cume, que recompensa!

Vídeo ao chegarmos no Cerro Verde.

Marcação da trilha, tãao evidente...



A vista do Pico Paraná era realmente perfeita, um monstro imperando à nossa frente, com sua silhueta clássica e maravilhosa voltada para nós, com um tempo totalmente aberto, excelente para ser deslumbrado por um bom tempo após as trilhas exigentes. E não só o PP, mas a Serra toda podia ser contemplada, no Cerro Verde você se sente totalmente inserido nas montanhas, pois estamos cercados por elas de todos os lados, o que é incrível, um verdadeiro Fugere Urbem !
 Pico Paraná visto do Cerro Verde.




A sensação é única, ainda mais quando estamos sozinhos e longe de tudo e todos. Quando assinamos o caderno no cume, a reação não podia ser diferente, vários palavrões saíram, pois tínhamos feito um belo esforço para chegar até lá! E olhe que éramos fortes pra montanha, e quando chegamos, foi extasiante!  Fizemos até piada, que no fim do dia teríamos feito 5 subidas e 5 descidas, o que parecia um grande feito, e olhe que foi...

E agora voltar tudo isso? 



Passamos perto de 1 hora no cume, e como ainda tínhamos que voltar 3 montanhas, estava na hora de ir. Descendo tuuudo de novo e subindo todo o precipício pra chegar no Tucum de novo, finalmente a pior parte tinha passado e aproveitamos pra ver o entardecer jogados no chão do tucum e depois no Camapuã, contemplando a vista da Serra amarelinha do Sol se pondo, sensacional!

Entardecer no Camapuã. 

Após a travessia até o Camapuã, fizemos a descida dele no escuro, com 2 lanternas, um pouco ruim, é claro, mas um toque a mais na aventura.

No total perdemos um dia inteiro da manhã até a noite, em cerca de 8 horas. É uma travessia cansativa, todos nós concordamos nisso, mas que vale a pena, como sempre, e MUITO, uma das vistas mais belas que já contemplei e
as travessias mais demoradas e exigentes são as que nos proporcionam os maiores prazeres, as melhores catarses e os sentimentos de conquista e liberdade são indescritíveis!





Quem tiver perna, que vá!