"Atualmente todos vivemos em um mundo dominado pelas máquinas. Quase não restam em nosso deteriorado planeta espaços livres, onde possamos esquecer nossa sociedade industrial e testar, sem sermos incomodados, nossas faculdades e energias primitivas. Em todos nós se esconde uma saudade do estado primogênito, com o qual podíamos calibrar-nos com a natureza e enfrentá-la, descobrindo a nós mesmos. Aqui está basicamente a razão de não haver para mim uma meta mais fascinante que esta: Um homem e uma montanha. "

(Reinhold Messner)

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Morro do Sete - A visão de todas as Serras

Começando mais um relato pelas montanhas paranaenses, hoje vamos falar sobre um morro com vista das mais interessantes para a Serra do Mar!
O acesso à Serra da Farinha se dá pela famosa entrada da graciosa que nos recepciona com um belo portal de pedras, ou melhor, rochas e melhor ainda, basaltos. 
Seguindo até a Fazenda que recebe os carros estacionados por R$10 reais, já temos uma vista de alguns montes da Serra da Farinha Seca, que vai do Morro Mãe Catira até o Morro da Balança.
Eu (Veleda), João, Tiago, Victor e Acássio na fazenda se preparando. Primeira vez.

A partir da Fazenda inicia-se a trilha para o Morro Mãe Catira, que tem que ser subido quando o objetivo é o Morro do Sete. 
Na primeira vez que estive no Morro do Sete, para não variar da má sorte que tive com montanhas no primeiro semestre de 2012, o tempo estava nublado e frio. O início da trilha é cansativo, exige das pernas e não é só no cansaço, é pela vegetação de bromélias cortantes que insistem em aparecer por quase toda a subida, provocando vários rasgos na pele, indicado ir sempre de calça comprida. 
Depois de uma parte mais pesada de subida em meio a mata atlântica, encontramos os campos de caratuvas, de onde se começa a ter as primeiras visões privilegiadas. De lá vemos Curitiba, que aliás se compararmos aos arredores podemos até ver a nuvem cinza de poluição que encobre a cidade, a Escarpa Devoniana que divide o primeiro do segundo planalto paranaense, a Serra da Baitaca, que inclui o famoso Anhangava e também a Serra do Ibitiraquire, que inclui o grande Pico Paraná e todos os gigantes a sua volta.

Dia 1. Serra da Baitaca ao fundo.

Dia 2. Serra do Ibitiraquire, possível identificar os picos Camapuã, Tucum, Caratuva, Itapiroca, Pico Paraná, Ciririca e Agudo da Cotia. 

Como mencionei antes, da primeira vez, a qual vou me referir aqui como Dia 1, com nuvens, conseguimos somente visualizar a Serra da Baitaca, mas muito diferentemente, da segunda vez que fui, aqui como Dia 2, o tempo estava incrível, frio e sem nenhuma nuvem no céu, a parte ruim só fomos descobrir mesmo no cume do Morro do Sete...
Dia 2. Várias cadeias de montanhas da Serra do Mar.

Continuando a subida, saímos na linda vista e entramos novamente na vegetação alta e fechada, e é nesse ambiente que encontramos o cume do Mãe Catira, que por esse motivo não tem nada de muito incrível a não ser um marco geodésico e um adesivo que indica que o morro faz parte de Travessia Alpha Crucis, a lendária travessia que engloba a Serra do Ibitiraquire, a Serra da Farinha Seca e a Serra do Marumbi (Travessia Alpha Ômega). No Dia 1, só vimos mato e nuvens de lá, mas no Dia 2, logo temos uma janela em meio a mata que revela a vista da Baía de Paranaguá, belísssima.
Cume do Mãe Catira. 

Daí inicia-se a travessia para o Morro do Sete, uma descida que exige dos joelhos, pois é longa e muito íngreme e no fim uma pequena subida, pois o Morro do Sete é aproximadamente 100 metros mais baixo que o Mãe Catira, que tem seus 1450 metros de altitude. A travessia dura mais ou menos uma hora, mas quando se chega ao cume do Sete é Fantástico.
Dia 1. Visão do Cume do Morro do 7, Serra da Farinha Seca.
Dia 1. Fenda entre morros na Serra da Farinha Seca. 

Repetindo mais uma vez, no Dia 1, tivemos a sorte de o vento levar as nuvens por alguns momentos e podemos ver a enorme fenda na Serra da Farinha Seca, formando um Canion entre as montanhas e revelando uma beleza incrível. No Dia 2, totalmente diferente, tivemos a visão de todas as Serras mais importantes para o montanhismo Paranaense. A norte, temos visão da Serra do Ibitiraquire, na qual podemos reconhecer os Picos Camapuã, Tucum, Itapiroca, Caratuva, Pico Paraná, Ciririca no qual até se vê as antenas, e Agudo da Cotia. A sul vemos a Serra do Marumbi, a leste a Serra da Prata, a Serra da Igreja e a Baía de Paranaguá e a sudoeste vemos até a ponta da Serra da Baitaca.
Dia 2. Serra da Prata ao fundo à esquerda e Serra da Igreja à direita.

Dia 2. Ana e Will com a Baía de Paranaguá ao fundo.
Dia 2. Fenda entre os morros da Serra da Farinha Seca. 
Serra do Marumbi ao fundo, o que estava atrás das nuvens no dia 1, agora uma maravilha! 

Completando a descrição do Dia 2, além de um vista maravilhosa do Leste Paranaense tínhamos VENTO, e MUITO VENTO. Era de quase sermos derrubados quando estávamos de pé, o que estava incomodando muito a estadia lá em cima, e também as fotos! No entanto, foi mais uma vez a natureza mostrando suas forças e nos dando a sensação de liberdade, e não de prisão entre paredes e prédios que nos protegem dos ventos e do frio, é o vento cortante da Montanha e do Mar que embaraça os cabelos.
Difícil tirar foto com tanto vento! Dia 2. 

Ficamos perto de uma hora e iniciamos a descida, que na verdade para voltar ao Mãe Catira foi um subida e daqueelas! Algumas pausas, mas logo estávamos de volta ao Mãe Catira e a partir daí só descida, este que na segunda vez nos levou a um trilha "alternativa" que nos levava na verdade a outra montanha da Serra, e tivemos que voltar para o campo das caratuvas e continuar a descida, agora pela trilha certa.
Finalizando o dia 2, demos umas passada na Casa de Pedra, ali ao lado da casa da fazenda, onde diz a lenda já foi uma senzala e hoje restam as ruínas e depois, todos mortos de fome e sede, fomos para o mirante da Estrada da Graciosa, onde comemos deliciosos pastéis, pamonhas e tomamos caldo de cana, fechando com chave de ouro!





Casa de Pedra. 

Se o site estiver demorando muito pra carregar as fotos, reclamem! Até a próxima!


5 comentários:

  1. Essa montanha é fantastica mesmo um das minhas preferidas. Parabens

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  2. Veleda,

    Fantástica montaintrip.

    Uma pena morarmos tão longe eu queria acompanhar voce, seu namorado e sua galera em algumas dessas viagens.

    Adorei a 15a foto. Seria muito bom voce pensar em adquirir um filtro polarizador para sua lente. Entre algumas boas funcionalidades ele diminui esses azuis que aparecem na foto e permite uma vista mais limpa dos reflexos da neblina. Inclusive a fotos nas postagens anteriores que fiquei com a viva sensação que você chegou a usá-lo.

    Muito estimulante mesmo os relatos. Obrigado por compartilhar.

    abs,

    Nilson soares

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  3. obrigada pela dica Nilson, pois é, eu não tenho filtro polarizador não, várias pessoas já me aconselharam a adquirir um, vou procurar sim!

    Abraços!

    Veleda.

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  4. Ola,

    Gosto de visitar este blog pois as surpresas são sempre muito legais. Já tinha ouvido falar da Travessia Alpha Ômega mas não sabia que também passava pelo Catira.

    Tentei o Sete uma vez com uns amigos, mas pegamos um dia muito fechado e chuvoso. Quando chegamos na descida do Catira para o Sete, abortamos prezando pela segurança. Realmente a descida é muito ingrime.

    Espero poder tentar novamente em breve. Quem sabe neste fds!

    Seus leitores aguardam a primeira aventura de 2013!

    Até lá!

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  5. Estive lá na semana retrasada. Tinha um bocado de lama na trilha, mas valeu a pena. Estou ansioso pra ir novamente, ainda que tenha o dobro da lama, a vista é de tirar o fôlego. Com certeza, uma das melhores montanhas pra subir!

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